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Intoxicação
Polícia Civil amplia investigações da síndrome nefroneural
09/03/2020 às 11:25:19

 

Às vésperas de completar dois meses de investigação da síndrome nefroneural, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) divulgou, na última sexta-feira (6/3), a ampliação para 38 o número de casos de intoxicação em apuração. Ao longo da semana, foram incluídas no inquérito quatro novas vítimas que teriam sido intoxicadas no final do último ano.

O Delegado Flávio Grossi, responsável pelo inquérito, afirmou que há a possibilidade, ainda, da inclusão de mais casos, haja vista que em acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), haverá uma extensão da janela temporal de contaminação. “Será realizada também uma classificação das contaminações e, em acordo entre as duas instituições, a análise dos casos foi estendida para janeiro de 2018”, disse.

Ainda não é possível, contudo, precisar quantos novos casos podem surgir, conforme explicou o Médico-Legista Thales Bittencourt, Superintendente de Polícia Técnico-Científica. “Uma vez que não é usual que as unidades médicas armazenem por um longo período de tempo amostras biológicas, a confirmação da intoxicação pode ser mais difícil. Por essa razão, a PCMG estará atenta aos novos casos que forem notificados, principalmente por meio da análise de prontuários médicos”, disse.

O Delegado Flávio Grossi adiantou, ainda, que as investigações estão em pleno curso, com mais de 50 pessoas ouvidas até o momento, entre testemunhas, vítimas e familiares, além da realização de perícias de engenharia no complexo fabril da cervejaria. “Ainda que por se tratar de uma investigação bastante complexa, estamos com um inquérito bastante estruturado e buscando investigações mais qualificadas, possíveis para caminhar à conclusão”, ponderou o Delegado.

Nova substância

Nos últimos dez dias foi atestada a presença de uma nova substância intoxicante, o ácido diglicólico, um metabólico tóxico do dietilenoglicol. “Ao final de todo o metabolismo do dietilenoglicol, é a substância responsável pelas lesões nos órgãos neurais e renais”, explica Thales Bittencourt. Nas amostras pesquisadas, 11 já deram positivas para o ácido diglicólico.

Vazamento

Os testes de estanqueidade não foram interrompidos, a PCMG continua realizando a construção da metodologia para o estudo do caso. “Importante ressaltar que esse tipo de intoxicação pelas duas substâncias em uma cerveja é algo inédito. Em casos notificados em outros países, a intoxicação já se deu em xaropes e vinho, mas em cerveja é a primeira vez. Por isso, diante dessa complexidade e ineditismo do caso, é necessária a construção de metodologias sólidas, o que pode demandar certo tempo”.

Ele adiantou ainda que ingressou agora na força-tarefa, que examina a síndrome, o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN), pertencente ao Ministério da Ciência e Tecnologia. “O CDTN vem agregar tecnologia à Polícia Civil para a detecção de eventual vazamento nos tanques, a partir de uma partícula que é colocada no equipamento de resfriamento da cerveja conhecido como “chiller”, encontrado nos tanques de armazenamento da cerveja. Trata-se de um teste muito sensível e, por isso, essa colaboração está sendo muito importante para as investigações”, pontuou. Nesta sexta-feira (6), inclusive, os técnicos da CDNT já estiveram com os peritos da Polícia Civil na sede da cervejaria para os exames preliminares e preparativos para a realização de novas perícias programadas para a próxima semana.

Exames negativos

Flávio Grossi destacou também que os exames laboratoriais negativos para dietilenoglicol e monoetilenoglicol em amostras biológicas não sugerem que não houve contaminação. “Na verdade, os exames são mais um elemento a ser somado à análise prontuarial, que vai dizer se a pessoa comprou, consumiu, quanto consumiu, atentando se os sintomas apresentados são compatíveis com a contaminação. Os exames, portanto, constituem elemento somatório a toda cadeia de acontecimentos que levam às intoxicações”.

Fatalidade

Sobre um laudo particular apresentado pela cervejaria, confirmando a detecção de dietilenoglicol na cerveja, Bittencourt afirmou que a quantidade da substância atestada seria suficiente para levar uma pessoa à morte. “A quantidade constatada nos laudos divulgados pela imprensa é plenamente suficiente para levar à óbito por intoxicação da substância”.

Divulgação PCMG







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